sexta-feira, 22 de junho de 2012

Sobre a inclusão do gênero "CRÔNICA" na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro


Pela primeira vez, em 2010, a crônica foi incluída entre
os gêneros textuais que fazem parte da Olimpíada de Língua
Portuguesa Escrevendo o Futuro.
Notícia ou texto literário? Por apresentar múltiplas facetas,
mais do que um gênero textual, a crônica traz um olhar
particular. Ao recortar cenas do cotidiano, o autor ilumina
situações, fatos, dando-lhes destaque, atribuindo-lhes um
novo sentido. O que poderia passar despercebido torna-se
encantador, envolvente, surpreendente, marcante.
Ao contrário do que parece, a criação de uma crônica não é
tarefa simples. Construir um sensível olhar pensante,
selecionando e amarrando os detalhes, é o primeiro passo
para elaborar um texto interessante que transporta o leitor
para a perspectiva do escritor.
Sensações, observações, lembranças e casualidades se
misturaram: nossos jovens cronistas identificaram personagens
pitorescos, construíram novos sentidos para experiências
cotidianas e passaram a valorizar o lugar onde vivem.
Os alunos aceitaram o desafio de trazer fragmentos da realidade
e do cotidiano para serem transformados em palavra escrita.
Ao ler essas crônicas, você terá a oportunidade de conhecer
um pouco do modo de ser e viver através das lentes de alunos
das escolas públicas brasileiras dos quatro cantos do país.

Leia os textos no link:
http://www.escrevendo.cenpec.org.br/images/stories/publico/noticias/20101201cronica.pdf

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Proposta de redação para os 2º e 3º anos do Ensino Médio - Carta pessoal

Leia atentamente a proposta de redação abaixo que estava circulando na internet:






O enunciado diz: "Imagine que você é um imigrante de origem chinesa na America (EUA). Escreva uma carta para contar suas experiências". É claro que você percebeu a brincadeira feita pelo estudante, que escreveu a carta em chinês ou imitando a escrita chinesa, levando ao "pé-da-letra" a pertinência temática. Obviamente ele teve seus méritos no quesito "criatividade", mas o problema é que a carta ficou fora de contexto, pois não foi possível para o examinador avaliar os itens para essa proposta, que devia levar em consideração as diferenças culturais existentes entre os povos em questão, principalmente por se tratar de um oriental no ocidente. Também os itens que compõem a carta: local e data, vocativo, saudação, despedida e assinatura não estão claramente visíveis. Tudo isso, certamente, fez com que o texto tivesse uma nota ruim. Sabendo disso, escreva uma versão em português para a carta do chinês, seguindo a mesma proposta.

Seu texto deve ser postado no blog até o dia 25/11/2011. Não serão aceitos os textos postados posterior a esta data. O mínimo é de 10 e o máximo de 30 linhas digitadas, sem contar os itens obrigatórios da carta.

Não esqueça de colocar, ao término da carta, o seu nome completo, número e série. Serão desconsiderados textos sem identificação.

Os textos copiados de outros alunos, embora com pequenas alterações, serão anulados. Faça sua pesquisa! Use sua criatividade!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Preguiça? – Só se for o bicho...

Por Jéssica Rangel Pereira

“É preciso ter fogo no coração para que o medo não vença.
É preciso ter fogo no coração para amar e uma vida salvar”

Em um dia qualquer de verão, quando o sol parece tomado de paixão, pintando o céu de vermelho e tornando ardente o calor da tarde, surge um grande incêndio numa floresta, causado por uma bituca de cigarro.
O fogo é tão intenso, que mesmo a quilômetros da cidade a fumaça é vista pela população, despertando a curiosidade de muitos sobre o que estaria ali havendo. O corpo de bombeiros foi chamado e, a princípio, o objetivo era apenas impedir o fogo de se alastrar, já que seria praticamente impossível encontrar alguém ali com vida.
Ao chegarem no local, os bombeiros ficaram estarrecidos com o enorme clarão que se levantava e se expandia em tons crescentes de amarelo-ouro, laranja e púrpura, seguido de ondas cinzentas que formavam um mar de fumaça, dominando o espaço celeste. Um verdadeiro espetáculo a olho nu, jamais presenciado em suas jornadas de trabalho... Como poderia uma luz tão bonita, tão forte, ser a causa de tamanha ruína?
Basicamente a visão dos bombeiros era de destruição, destruição e destruição... O que mais pediam (a Deus ou sabe-se lá a quem...) era que as vidas que ali estivessem pudessem se salvar sozinhas, porque não havia condições de fazer buscas por sobreviventes.
O tempo foi passando e o fogo se acalmando, porém ainda se espalhava pelas extremidades da floresta. Um dos bombeiros, com sua mangueira, mirava o jato de água além do fogo com a esperança de contê-lo. O olhar fixo no fogo da mata. De repente, em meio a toda aquela fumaça, algo se movia em uma árvore. Seu instinto profissional o guiou até lá.
O restante dos homens não conseguiam acreditar no que ele estava fazendo, todos gritavam desesperadamente para que ele voltasse, pois era se arriscar demais naquelas condições. É óbvio que o trabalho de qualquer bombeiro é se arriscar para salvar alguém, mas aquele incêndio... aquele incêndio era indescritível, parecia até que tinha vida própria!
O temerário bombeiro teve de se esforçar muito para chegar perto daquela árvore, já que o calor era incessante. Ao se aproximar um pouco mais, viu que realmente havia algo lá e que precisava de sua ajuda. Naquele instante, o homem estava ali não mais pela profissão que carregava, mas seguindo o pulso de seu coração e o valor que dava à vida.
Com grande esforço e sem hesitar em nenhum momento, o bom bombeiro conseguiu, enfim, resgatar aquela vida que, consciente ou não, lutava para continuar neste mundo.
Os outros bombeiros também agiram com êxito em relação ao fogo: o suficiente para deixar a situação sob controle. Todos eles estavam preocupados com o companheiro de trabalho que tinha adentrado aquele cenário suicida. Para a felicidade geral, avistaram o bombeiro voltando com algo em seu colo. Ao se aproximarem, muitos homens não conseguiam acreditar no que viam: o bombeiro com um bicho-preguiça nos braços!
A maioria ficou questionando o porquê dele ter feito aquilo, arriscar sua vida por conta de um animal... se fosse uma pessoa – que era o que todos esperavam – tudo bem... mas não! Aos ouvidos do nobre bombeiro, as vozes foram sumindo... ensurdeceu-se para as críticas: sentou-se no chão e gentilmente dava água para o bichinho - só o seu bem-estar importava.
Para acabar com todo aquele interrogatório, o bombeiro se levantou, e ainda com o animal em seu colo resolveu dizer: “Ao me tornar bombeiro, fiz o juramento de proteger a vida, o meio ambiente e o patrimônio da sociedade em quaisquer circunstâncias. Ao salvar esse animal nada mais fiz do que honrá-lo. Esse animal tem o direito à vida. Enquanto eu estiver no meu posto de trabalho, seguirei esse lema”.
O silêncio impregnou naquele momento. De tudo poderiam os colegas tê-lo chamado, menos de “bicho-preguiça”... essa certeza ele tinha!



DESCRIÇÃO DA IMAGEM
A inspiração para este texto nasceu de uma foto que mostrava um bombeiro que havia resgatado um bicho-preguiça. Ele segurava o animal no colo e dava água ao bicho com uma garrafa. Ao ver essa imagem eu pude entender a beleza que existe nos atos do ser humano.

Texto semifinalista no 7º Concurso Cultural Ler e Escrever é Preciso Ecofuturo

Devore-me!

Por Maxwell Candido


A visão do rosto dela... Com a fragrância enlouquecedora de comida, focaram nele emoções fortíssimas de ternura e fome, emoções indescritíveis...


Foi assim que os vi nesta cena quase “hollywoodiana”, pareciam esquecer o mundo a sua volta, como se não houvesse ninguém, como se aquele instante fosse o último, assim em meio à metrópole, sem problemas existentes na face da terra.
Ele: traje esporte. Ela: vestido simples, azulado. Ambos se olhavam estendido, por repetidas vezes, com um movimento lateral do rosto, só sendo distraídos por uma barraca de hot-dog, que subitamente entrou na frente dos dois. Ele discretamente deixou-se distrair pelo cheiro inevitável da comida. Estampados em sua face dois únicos desejos: a sua insaciável fome e a vontade de beijá-la... o que falava bem mais alto perante a beleza de sua amada. Os olhos exalavam sua louca vontade de agarrá-la e envolvê-la com seus braços na trama ardente que é o amor... e ao mesmo tempo de acabar de vez com a louca fome que o atormentava.
É assim: a mulher o espera imóvel, como uma mosca aguarda seu fim diante da tão temida aranha. E ele se aproxima... calculando cada movimento... cada passo... cada palavra... Fome! Voltava a lembrar de sua mais primitiva necessidade.
O cheiro do carrinho de hot-dog ao lado subia ao seu nariz como uma sinfonia aos ouvidos de Beethoven, em meio a todas as outras fragrâncias, nem sempre muito aceitáveis, num lance rápido, surge uma idéia, uma chance para a conquista: coloca a mão no bolso, retira em um movimento duas notas ligeiramente amassadas. Um pedido. Uma cena tipicamente americana em meio à metrópole bem mais que brasileira, espremendo-se e lutando por um local mais “livre” dentre a imensa multidão.
“Um completo, por favor!” Disse o rapaz, acenando logo em seguida com a cabeça, pegando seu pedido e indo confiante em direção a ela. Silêncio. Coração acelera. Ele chega perto. As palavras somem; mais um aceno. Na cabeça correm rápido todas as suas estratégias que subitamente somem, desaparecem, mas voltam como um “Dejá vu”.
“Olá?!” Disse ele em direção a ela, que afoita, se embaraçou, e com um jogar de cabelos, respondeu um singelo, porém, belo: “Oi!”. Ambos desconcertados com a presença alheia.
“Eu trouxe para você.” Disse ele entregando-lhe um singelo pão de centeio, cortado em duas fatias, com condimentos e uma imensa e gordurosa salsicha, mas que naquele momento só teria um único significado: Ele a quer, mas será que ela o quer mesmo?.
“Obrigada! Ainda se lembra dos meus gostos.” Disse ela com um sorriso no canto dos lábios. “É. Ainda me lembro bem do seu gosto.” Agora ele quem diz com um malicioso olhar: Fome! ...novamente o seu Eu primitivo o lembrava de sua necessidade. Mas agora ele só pensava em cortejá-la.
“Eu te amo!” Ela disse subitamente, abraçando-o; ele inerte, sem fala, e ainda com fome, balbuciando duas únicas palavras: “Me beije.” Dois desejos saciados em um: foi fatal!
...e assim, da mesma forma que cheguei, vi o movimento da cena: era o ônibus andando, o sinal abriu. Escuto o barulhento som do motor; buzinas; despedia-me daquela cena do “belo amor de momento” – como apelidei – que ia passando lentamente pelos meus olhos, como as nuvens cortam o céu. E fui retornando a minha vida com a cena “shakespeariana” mais brasileira que já vi.



Descrição da imagem

Bairro da Liberdade, o farol fecha. Da janela do ônibus, em meio às minhas distrações, observo um casal que aparentemente se desconhecia. Surpreendo-me com esta bela cena de amor: ele, um pobretão, afoito pela fome, prefere dar de comer a sua amada. Só depois percebi que o sentimento já vinha de longas datas.


Texto semifinalista no 7º Concurso Cultural Ler e Escrever é Preciso Ecofuturo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

QUEM NÃO PODE COM MANDINGA NÃO CARREGA PATUÁ

Uma antiga expressão diz:
“Quem não pode com mandinga, não carrega patuá”.

Os Mandingas são grupos de africanos do norte que, pela proximidade com os árabes acabaram se tornando muçulmanos, religiosos que tem muitas restrições aos que não aceitam Alá como Deus ou Maomé como o seu profeta.

Com o crescimento do tráfico de escravos, vários negros mandingas vieram parar no continente americano, vítimas da ambição dos brancos. Muitos desses escravos sabiam ler e escrever em árabe. Esse estado superior de cultura desse grupo de negros fez com que fossem rotulados de feiticeiros, passando a expressão mandinga a designar feitiço.

Por outro lado, os negros que praticavam o culto aos Orixás eram vistos como infiéis pelos negros muçulmanos. Os senhores brancos, aproveitando-se dessa rivalidade e confiando aos mandingas funções superiores que aos demais, fazia a animosidade entre eles crescer. Os mandingas não eram obrigados pelos senhores brancos a comer restos de carne de porco e até mesmo permitiam que eles usassem trechos do Alcorão guardados em pequenos invólucros de pele de animais pendurados ao pescoço. Constantemente eram os negros mandingas que acabavam ocupando o lugar de caçadores de escravos fugitivos, recebendo a denominação de “capitães-do-mato”.

Quando um escravo pretendia fugir da senzala, além de se preparar para lutar sem armas através da capoeira e do maculelê, ele passava a usar o cabelo encarapinhado e pendurava ao pescoço um patuá, de modo que pensassem tratar-se de um negro mandinga, para não ser perseguido. Entretanto, se um verdadeiro mandinga o abordasse e ele não soubesse responder em Árabe, o verdadeiro mandinga descarregaria toda a sua violência nesse infeliz negro fugitivo. Assim nasceu a expressão “quem não pode com mandinga não carrega patuá”.

A vingança a quem se atrevesse a portar um falso objeto sagrado pelo muçulmano era algo muito terrível. Com o passar do tempo o hábito de utilizar patuás entre os negros foi se generalizando, pois eles acreditavam que o poder dos mandingas era devido, em grande parte, aos poderes do patuá. Por outro lado, os padres também utilizavam, e ainda utilizam, crucifixos e medalhas, agnus dei, etc., que depois de benzidos, a maioria das pessoas acredita possam trazer proteção aos devotos nelas representados. Na verdade, o uso do talismã perde-se na longa noite do tempo e confunde-se com a própria história do gênero humano.

Nos primeiros candomblés da Bahia era comum o pedido de patuás por parte dos simpatizantes e até mesmo por aqueles que temiam o culto afro, pois se dizia que o patuá poderia até mesmo neutralizar trabalhos de magia negra.

Mas afinal, o que é um patuá? O patuá é um objeto consagrado que traz em si o axé, a força mágica do Orixá, do santo católico ou guia de luz, a quem ele é consagrado.

Entre os católicos já era hábito utilizar um objeto ou fragmento que houvesse pertencido a um santo ou a um papa, até mesmo fragmentos de ossos de um mártir ou lascas de uma suposta cruz que teria sido a da crucificação de Jesus. Até mesmo terra, que era trazida pelos cruzados que voltavam da Terra Santa e que a utilizavam nesses relicários, considerados poderosos amuletos, que deveriam atrair bons fluidos e proteger dos infortúnios. Estes eram chamados de relicários. O nome relicário é originário do latim relicare-religar, que acabou formando a palavra relíquia. Logo o clero percebeu que não poderia impedir o uso dos patuás pelos negros, que os tiravam antes de entrar na igreja, mas voltavam a usá-los ao afastar-se dela. Decidiram, então, substituir os patuás africanos, que traziam trechos do Alcorão, por outro que trazia orações católicas, medalhas sagradas, agnus dei, etc.

Com a formação dos primeiros templos de Umbanda e a possibilidade de um contato mais direto com diversas entidades espirituais, as pessoas que buscavam proteção começaram a encontrar nesses objetos sagrados um apoio (era algo material que continha a força mágica vibratória sempre consigo). A partir de então, as entidades passaram a orientar sua elaboração, indicando quais objetos seriam incluídos na confecção do patuá e como se deveria proceder com eles para que recebessem o seu axé, ou seja, a força mágica.

Na verdade, a procura do patuá ou talismã é feita principalmente por quem se sente inseguro e conseqüentemente necessitado de maior proteção.
Os componentes mais utilizados para a confecção dos patuás são os seguintes: figas de guiné, cavalos marinhos, olho de lobo, estrelas de Salomão, estrelas da guia, cruz de caravaca, couro de lobo, pêlo de lobo, Santo Antonio de Guiné, imagens de Exu e Pomba-Gira, pontos diversos, orações, sementes variadas, imãs, dentes de cavalo, etc.

Não podemos esquecer que esses componentes singelos não têm valor se não forem preparados pelas entidades incorporantes.
Somente estas podem dar o axé do patuá.

publicado no site do terreiro tio antonio
(Pai André de Xangô)

terça-feira, 14 de junho de 2011

7º Concurso Cultural Ler e Escrever é Preciso Ecofuturo

Convido a todos os alunos dos 2 º e 3º anos Ensino Médio da escola Ministro para participarem do 7º Concurso Cultural Ler e Escrever é Preciso Ecofuturo.

Consultar site:

O tema é: "Vamos cuidar da vida"

Leia as informações abaixo para produzir seu texto. Máximo de 5000 caracteres (aproximadamente duas páginas)

Os participantes desta categoria

  • ... vivem a etapa em que o ser humano deve construir a ideia de um mundo verdadeiro e justo;
  • ... começam a tomar conta do próprio corpo, buscam autonomia, desenvolvem uma formação ideológica;
  • ... continuam explorando diferentes formas de comportamento para descobrir o "jeito pessoal";
  • ... liberam grande parte da tensão em confrontos com a autoridade representada pelos adultos;
  • ... observam atentamente as incoerências no comportamento dos adultos e nas regras estabelecidas, sempre alertas para descobrirem as diferenças entre o que os adultos dizem e o que realmente fazem;
  • ... têm ideias individuais e crenças fortes, independentemente das pressões familiares e sociais;
  • ... têm os relacionamentos como tema central das preocupações;
  • ... estão na "ante-sala" da responsabilidade social e se sentem pressionados a tomar decisões de impacto no futuro; têm vontade de "fazer alguma coisa" para melhorar o mundo.

A forma: livre

Por que forma livre? Primeiro, porque o ser humano nessa fase da vida vive procurando liberdade - nem que sejam migalhas. Segundo, porque aumenta a possibilidade de obter retorno de gente assim:

"Encontre para mim talentos escondidos, apaixonados, adolescentes que, em lugar de se prepararem para os exames oficiais, explorem sem cessar um pedaço ou um mecanismo do mundo. Tudo, menos gente preguiçosa. Eu quero gente trabalhadora, mas gente trabalhadora que só aguente a liberdade." Erik Orsenna, in Dernières nouvelles des oiseaux

A criação nessa forma livre vai partir, porém, de uma IMAGEM escolhida pelo autor, na qual ele identifique que existe BELEZA (e que ele deverá descrever depois do texto criado, para que seus leitores entendam de onde ele partiu). O trecho de Rubem Alves que você encontra no quadro a seguir fala exatamente do poder inspirador das imagens, e também ilustra perfeitamente o tipo de descrição que seu aluno deve fazer depois de criar seu texto em forma livre (parte destacada em azul).

Que tipo de imagem? Qualquer um, sem restrições. Pode ser obra de arte, mas também pode ser foto de gente ou de coisa, desenho, figura abstrata... Afinal, sabemos todos que a beleza está, antes de mais nada, no olhar!

Se a arte é, nas palavras de Bloch, "uma antecipação da morada final do homem - o Paraíso -, conclui-se que a intenção da beleza é a transformação do mundo. Cada obra de arte é uma oração pela volta do Paraíso. Beethoven teria alegremente trocado a beleza da Nona Sinfonia pela beleza de um universo embriagado pela alegria.

Faz dias vi na televisão um anúncio que já vira muitas vezes.

Campos verdes se perdendo no horizonte, riachos de água cristalina, bosques, cavalos selvagens livres, em galope. A imagem era cheia de beleza. Utópica. Impossível não desejar estar lá.

[...]

Não conheço nenhuma pessoa que tenha sido convencida pela verdade da ciência. Conheço muitas, entretanto, que foram mortalmente seduzidas pela beleza da imagem. A verdade fica guardada na cabeça. Mas a beleza faz amor com o corpo. O senhor - a televisão - sabe disto: que as pessoas não são movidas pela verdade; elas são movidas pela beleza.

Imagino que o senhor alegremente trocaria toda a arte e toda a beleza que a Fundação Roberto marinho tem restaurado, preservado e celebrado pela alegria de uma beleza encarnada num povo e num país. Toda a beleza do mundo anuncia o Paraíso. Conclui-se que o Paraíso é bem superior a toda a beleza da arte - porque o Paraíso é a arte tornada vida.

A tarefa de tornar belo um povo e um país, assim, é superior à tarefa (maravilhosa!) de restauração, preservação e celebração da beleza! E é esse o desafio que lhe lanço: o de ser mais que um simples mecenas, protetor das artes: o senhor pode ser um artista que arranca da pedra bruta um povo e um país!

[...]

A beleza pode seduzir o povo a amar a natureza, a preservar a saúde, a se alegrar com as artes, a cuidar das crianças, a viver de forma civilizada, a respeitar a vida...

Rubem Alves, "Caro Sr. Roberto Marinho", in Entre a ciência e a sapiência - O dilema da educação.

O ponto de partida: a ideia de CUIDAR DA VIDA (Coautoria no Cuidado).

Essa ideia se desdobra em pequenas coisas que podem fazer diferença, em ações cuidadosas, porque somos todos coautores de uma vida melhor ou, pelo menos, mais satisfatória.

Não esperamos o retorno na forma de queixas sobre a difícil realidade do nosso mundo, nem acusações a possíveis responsáveis pelos desmazelos que levam tanta gente a apregoar que "o mundo está perdido", proclamar que "este mundo não tem mais jeito" e concluir que "ninguém faz nada, mesmo".

Esperamos, isto sim, um retorno coerente com a ideia de que os seres humanos estão ligados, entrelaçados. Isso faz de nós coautores do "mundo como ele é" e nos compromete com um senso de limites em nossa ação no mundo (em outras palavras: somos malhas da mesma rede, e nenhum mundo em que as ações de uns ferirem os outros pode ser bem-sucedido).

Que venham as ideias sobre cuidar da vida, com toda a diversidade e a liberdade que a criação implica, e que muitas pérolas brilhem para o deleite de todos!

Pérolas...
Pérolas, pérolas, pérolas, pérolas?
Pérolas!

Quando acontece de, num texto, alguma coisa faiscar, brilhar, saltar - por sua originalidade de construção, por uma escolha inusitada de palavras, pela impressão de que a alma de quem escreve se deixou vislumbrar, ou mesmo por um uso gramaticalmente incorreto que produz um efeito interessante, encontramos uma pérola.

Os jurados que leem os textos escritos por você ou por seus alunos fazem isso com olho de catador de pérolas, e não com olho de censor, e muito menos olho de avaliador de desempenho escolar. Viva a originalidade! Por que não ousar? É arriscando a pôr o pé um pouco além do limite das regras estabelecidas que a humanidade avança...

A leitura que ajuda a escrever melhor:

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede. Cora Coralina

Conversas e experimentos a partir da literatura ajudam MUITO a facilitar e enriquecer a produção de textos. Esmiuçar obras literárias pode ser uma atividade de investigação lúdica - não se trata de « análise literária », e sim de uma olhada carinhosa, gentil, empática no escrito alheio, em busca de seus segredos, iscas, mistérios e achados. Como este, um verdadeiro diamante de um poeta japonês do século XVII:

Casca oca:
a cigarra
cantou-se toda. Bashô

A vinculação intencional e bem feita entre o ato de ler e o ato de escrever, em sala de aula e nas bibliotecas, pode conduzir ao aprimoramento e ao aprofundamento de ambos. Quem lê se alimenta de formas, conteúdos e modelos para sua própria expressão escrita; quem escreve experimenta, inevitavelmente, a presença de significados por trás das palavras - uma das chaves mestras para solucionar o grande quebra-cabeça mundial do analfabetismo funcional, com suas multidões de "leitores mecânicos" incapazes de mergulhar no que leem.

Escolha a sua própria lista de livros, contos, poemas, trechos e autores, entre os que já moram no currículo, os que você ama, os que os alunos conhecem e sugerem...

Na falta de livros, vá ao encontro deles nas páginas da grande biblioteca que é a Internet.

Na sala de aula

A proposta e o material oferecido podem gerar muita conversa gostosa e produtiva na sala de aula, muitas trocas de opiniões e argumentos, momentos de descontração e participação. A partir da 6ª edição, passamos a torcer também para que despertem em você a vontade de escrever seu próprio texto para a categoria 5, da qual participam educadores e profissionais de bibliotecas.

Que o concurso seja uma celebração ao ato de escrever com gosto, liberdade e espontaneidade! O ponto de partida, que é a ideia de CUIDAR DA VIDA, foi adaptado a cada categoria para que todo mundo sinta prazer em escrever seu texto e, ao mesmo tempo, tenha uma experiência ajustada à sua fase de vida e ao seu nível de formação.

Exemplos de assuntos de conversa:

  • Coautoria: o que é? Somos coautores do nosso mundo, da nossa vida? Como? É possível escolher o que fazer? É possível escolher como fazer? Isso muda o mundo?
  • Exemplos de entrelaçamento entre ações e reações, entre modos de agir e efeitos desencadeados, entre o mundinho pessoal e o “mundão”...
  • Subjetividade partilhada”: tudo o que fazemos é uma forma de resposta diante do mundo e diante das outras pessoas; somos indivíduos, mas somos "em diálogo", somos nossos relacionamentos, somos nossas ações e nosso jeito de fazer as coisas.
  • As decisões que tomamos ressoam no mundo.
  • O contágio das emoções, das ideias, dos sentimentos.
  • Ter medo de dizer o que sabe X adotar o pensamento e o jeito dos outros para não ser criticado (é mais seguro repetir o que outros falaram).
  • A falsa ideia de que para ser belo e bom o escrito tem que ser complicado.
  • A escolha das palavras para dizer algo que seja melhor que o silêncio.
  • Degustar os ingredientes da leitura e da escrita: a ideia é saborear palavras, frases, expressões, poemas, contos, trechos de romances, tudo isso como um tira-gosto que ajuda a descobrir como compor e enriquecer textos. Degustar é experimentar, provar, saborear, avaliar pelo paladar.
  • Se imagens valem por 1.000 palavras, como encontrar as boas palavras para substituir uma imagem? Quais seriam essas 1.000 palavras? (Isso pode ser feito diante de imagens e variando a categoaria gramatical das palavras buscadas, de forma lúdica, para perceber como também se pode jogar com as categorias gramaticais.
  • Os sentimentos que as palavras despertam, o que é surpreendente, o que é bonito, o que é estranho...
  • Essas conversas, em si mesmas, já fazem nascer textos coletivos, que você pode ir anotando para mostrar que a boa escrita começa na alma, nas lembranças, nos diálogos, na liberdade no uso das palavras.

Escolha a sua própria lista de poemas e autores, e não deixe de lado a boa música, nem o repertório folclórico, que costuma funcionar às mil maravilhas para quebrar barreiras, e nada mais é que poesia cantada e dançada!

UM TITULO NAO DEVE APRISIONAR A PALAVRA, E SIM ABRIR-LHE A PORTA.

Aproveite bem o trabalho de conversa sobre a leitura em sala de aula e chame a atenção dos alunos para o prazer que se pode extrair da palavra escrita (pessoal ou alheia) e faça da escolha do título a partir da ideia que é ponto de partida - CUIDAR DA VIDA - mais um ato de criação.

O momento sagrado da escrita

A alma da boa escrita tem raiz na vida concreta.
É no cotidiano das pessoas que a história se concretiza, que a geografia se localiza,
que a matemática se equaciona, que os valores se aplicam, que a grande realidade se revela, que o universo se exemplifica.

"Quando tudo parece sem saída sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo." Caio Fernando Abreu

A poesia é a fala da alma (Stephen K. Levine)

Releitura

Um leitor que não é o autor do texto identifica imediatamente o que está confuso, repetitivo, cansativo ou incorreto. Os colegas conseguem chamar a atenção do autor da redação para essas "falhas". Com isso, ele tem mais ferramentas para fazer uma nova versão do texto e também para se tornar um leitor atento do que ele mesmo escreve. Paralelamente, continuamos insistindo no aprimoramento dos textos produzidos pelo próprio autor, com apoio dos colegas e dos professores – essencialmente, a partir de leitura em voz alta, para tomada de consciência da qualidade da mensagem escrita: ler os textos em voz alta não para dizer "Isto está bom, aquilo não está", e sim para despertar novas percepções e alternativas.

A escolha: exercício de consenso

CONSENSO é conformidade, acordo ou concordância de idéias, de opiniões. As pessoas apresentam argumentos para justificar suas preferências para convencer as demais.

Buscar consenso é mais demorado do que votar e escolher por maioria, mas é uma experiência muito mais rica de diálogo e reflexão. Todos têm oportunidade de apresentar suas ideias, escolher argumentos e palavras para defendê-las e ouvir os outros de verdade.

A caminho da sabedoria, o ser humano tem que passar pelo exercício do consenso.

Na sala de aula

Você, professor, conhece melhor do que ninguém o funcionamento de sua turma. Como selecionar uma das redações para a etapa seguinte? Voto secreto? Discussão para decidir por consenso? Voto aberto? As possibilidades são muitas. Nós achamos que a busca de consenso é sempre o melhor caminho e se presta perfeitamente para que as crianças (e também os adultos) aprendam que o mundo pode ser diferente:

Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro... Rubens Alves

O dia-a-dia escolar nem sempre tem lugar para uma discussão mais longa. Mais uma vez, confiamos no seu discernimento para decidir o que lhe parecer mais adequado.
Aqui vão três sugestões para tornar os textos conhecidos antes da escolha:

  • O aluno que quiser concorrer lê seu texto em voz alta para os demais;
  • Os textos são afixados num quadro mural para serem lidos por todos;
  • Os textos circulam entre os alunos.

Na escola

Nesta etapa, sugerimos que os professores se reúnam e escolham os textos que serão enviadas para o Ecofuturo.
Nós achamos que buscar consenso é sempre o melhor caminho.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Livros de gramática - ABL discorda da posição do MEC

A Academia Brasileira de Letras divulgou nota oficial na qual discorda da posição do Ministério da Educação quanto aos livros didáticos de Língua Portuguesa que buscam justificar a falta de necessidade de observação das normas cultas do idioma.

"O Cultivo da Língua Portuguesa é preocupação central e histórica da Academia Brasileira de Letras e é com esta motivação que a Casa de Machado de Assis vem estranhar certas posições teóricas dos autores de livros que chegam às mãos de alunos dos cursos Fundamental e Médio com a chancela do Ministério da Educação, órgão que se vem empenhando em melhorar o nível do ensino escolar no Brasil.

Todas as feições sociais do nosso idioma constituem objeto de disciplinas científicas, mas bem diferente é a tarefa do professor de Língua Portuguesa, que espera encontrar no livro didático o respaldo dos usos da língua padrão que ministra a seus discípulos, variedade que eles deverão conhecer e praticar no exercício da efetiva ascensão social que a escola lhes proporciona. A posição teórica dos autores do livro didático que vem merecendo a justa crítica de professores e de todos os interessados no cultivo da língua padrão segue caminho diferente do que se aprende nos bons cursos de Teoria da Linguagem. O nosso primeiro e grande linguista brasileiro, Mattoso Câmara Jr., nos orienta para o bom caminho nesta lição já de tantos anos, mas ainda oportuna, a respeito da qual devem refletir os autores de obras didáticas sobre a língua materna: "Assim, a gramática normativa tem o seu lugar no ensino, e não se anula diante da gramática descritiva. Mas é em lugar à parte, imposto por injunções de ordem prática dentro da sociedade. É um erro profundamente perturbador misturar as duas disciplinas e, pior ainda, fazer linguística sincrônica com preocupações normativas" (Estrutura da Língua Portuguesa, 5). O manual que o Ministério levou às nossas escolas não o ajudará no empenho pela melhoria a que o Ministro tão justamente aspira."

Maiores informações: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=11763&sid=727